Dexter
Ninguém me viu chorar E ainda tenho de disfarçar Essa ferida que se formou Parece que não vai fechar Sei que fiz a coisa certa Mas não consigo aceitar Sei que não pensei em mim E não tinha mesmo de pensar Minha coragem foi covarde Minha covardia que devia ser mais corajosa Quem sabe... Mas a dúvida me pediu pra não arriscar Claro que também ia se acovardar A saudade já não é de exitar Fere o tempo todo sem descansar A solidão não pode me ver sozinho Se aproxima devagar Me faz lembrar Se alimenta de minha dor Suga-a de meu coração Afinal, o que seria dela Se não fosse nosso pesar? Agora o vazio me completa E o meu olhar é para ele Mas minha mente não para E vai te procurar Ela te encontra sempre Eu nunca mais vou te encontrar Nem em minha manhã mal-humorada Nem em meu secreto jantar Me perdoe mais uma vez Mas não vou poder ficar Tenho de encontrar algum lugar Onde eu não me envergonhe de chorar.
Escrito por Black_Panter às 13h20
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Nazio

Eu não fico mais triste Mas ainda olho para o nada Não sei no que isso consiste Minha vista atrapalhada O vazio é inevitável Todo som é surdo Tudo é ilegível Toda voz é muda É uma forma singular Inocente, Inconsciente De ignorar.
Escrito por Black_Panter às 14h50
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Agora!...

...a verdadeira hora. Mas quando é agora? Um sofrimento, sentimento que te devora? Um pensamento que te apavora? Nada disso é agora, tudo isso é outrora. Um piscar de olhos que não demora. Agora é agora! Mas já passou, novamente é outrora!
Escrito por Black_Panter às 13h18
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Pálida Lua

O romantismo não é o meu forte Eu falo de vida, de morte A vida não é romântica É semântica Quântica Pra morte eu uso assonâncias Evitando redundâncias Acrescentando substâncias O meu sol é muito quente Não é tão boa a minha gente Meu amor só corrompe a mente Oh lua que brilha! Não és como no romance Cálida És solitária como uma ilha Congelante Pálida!
Escrito por Black_Panter às 10h43
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Desconhecidos

quantos olhares! quando pensares: quantos olhares me conhecerá?
quantos rostos! quando os vires, quantos rostos desconhecidos!
quantos pensamentos! quando imaginas: quantos pensamentos de mim originas?
quanto eles sabem? como eles sabem? quem me conhece? quem eu conheço? quem não me conhece? quem desconheço?
quem não me conhece, eu o conheço! quem me conhece, eu não conheço!
Escrito por Black_Panter às 10h45
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Fale

Não me fale de nada Fale de tudo Tudo o que é importante Verdadeiro Insinuante Que seja inteiro Fale de tudo que valha a pena Que dê teatro Uma cena Um três por quatro Fale sobre agora Ou uma boa história Algo que aflora Uma glória fale de devaneios Vontade Anseios Realidade Natureza Trabalho Beleza Quebra-galho Felicidade Satisfação Idade Condição Monte Vale Conte Fale
Escrito por Black_Panter às 10h56
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Natural

Existe uma natureza que não é só de flores a natureza das dores sem amores. Uma que é sem rumo sem caminho do sozinho do sem carinho. Ela é de muitos e é a todos. Uma homogeneidade heterogênea que faz muitos serem iguais e, por isso, tão diferentes tão individuais. Como produz injustiças essa natureza! essa que é sem alteza sem beleza nua e crua jogada na rua coberta pela lua que morre de fome que o ódio consome que transforma que transtorna que não reforma que não torna que mata que morre que some que chora que hora? agora!
Escrito por Black_Panter às 10h42
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PensaMente

Sabe aqueles pensamentos...
Que põem pregos nos acentos?
Que esquentam o chão que pisamos?
Que bagunçam nosso cabelo?
Que estalam nossos dedos?
Que róem as nossas unhas?
Que espremem nosso coração?
Que matam a nossa fome?
Que invertem o conceito de bom?
Que nos deixam bêbados?
Que enfraquecem o relógio?
Que endurecem o travesseiro?
Que acinzentam o dia?
Que amargam o mel?
Sabe aqueles pensamentos?
Porque não fazem como os outros
E duram apenas momentos?
Escrito por Black_Panter às 08h51
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Dado Viciado

Meu passado me condena Porque nunca fui nenhum santo Minha bondade ficou num canto E minha vida nunca foi amena
Passei por tempos melhores Mas hoje estou assim: Eu nas mãos de meus algozes E nas minhas o sangue carmesim
Mas esse sangue não é meu O meu já virou poeira E sim de alguém que já sofreu Por eu sofrer dessa maneira
Alguém que se entristece Quando parecem não lhe dar atenção Quando alguém como eu lhe esquece E cai na escravidão
Alguém que pode ordenar Que todas as chibatadas cessem Que meus cortes venham a se fechar Enquanto todas minhas dores desaparecem
Mas que não pode cessar Aquilo que desejamos E que queremos alcançar Mesmo que com isso soframos
É estranho assim pensar, Enquanto erramos o nosso caminho Alguém que poderia nos livrar Nos deixa andar sozinho
Essa é a maldição do homem Foi dado a ele o escolher Mas ele não sabe escolher o bem Então escolhe sofrer
Abaixo o livre arbítrio! Não quero mais decidir Pois sempre que escolho ir ou vir Acabo contrito
Escrito por Black_Panter às 11h44
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Simples

Sem composição; sem mistura. Único; exclusivo. Mero, singelo. Que não é complicado. Sem enfeites, sem moldura.
Que não é dobrado. Que é fácil de entender; Evidente; natural. Que não é luxuoso, artificial. Não ornado, elegante, caro ou requintado.
Sem esforço; espontâneo. Normal, vulgar, comum, ordinário. Que se encontra no grau mais baixo. Fácil de enganar; tolo, crédulo, ingênuo.
Sem instrução; ignorante. Modesto, humilde, pobre. Pessoa simples; Popular; insignificante.
Escrito por Black_Panter às 08h34
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Simplicidade

Como pude simplesmente Deixar de ser simples? Não achava que era tão simples Perder a simplicidade. Mas tem lógica, É simples se perder o simples.
Escrito por Black_Panter às 12h11
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Falta

Sinto muita falta Mas não sei ao certo do quê Quando está sol Penso ser da chuva Mas quando chove Levo mais um tapa de luva De noite anseio pelo dia Ele vem de mansinho E assim também percebo Que ele não me alivia Boto minha cara ao vento Mas ele só faz incomodar Não me bagunça o cabelo Nem me traz nenhum alento Tento me lembrar de meus amores Mas desisto logo Foram tantas decepções Que só aumentam minhas dores Meu passado talvez Minha infância, quem sabe?! Não adianta Cedo minha inocência se desfez Tento com as amizades Mas quantas vezes às vi de costas Mesmo olhando em meus olhos Enquanto proferiam inverdades É... está faltando algo Mas acho que é nesta poesia Está um tanto vaga Outro tanto está vazia Sinto falta de Nada Porque eu não tenho mais Tudo E com a falta deste Aquele mesmo me agrada.
Escrito por Black_Panter às 14h42
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Lágrimas na lixeira

Não me jogues fora assim Por tão pouco Queria ser ácida Faria sulcos por toda tua face Assim não me jogarias Por qualquer motivo Basta estares feliz o bastante E tu já não me queres mais E me deixa cair Estando triste me ignora Olhas para o nada enquanto me esvaio Se o Nada é mais importante do que eu Então o que sou para você? A maior vergonha para ti É quando eu apareço em público Por isso me evita assim Quando é para te mostrares forte Eu não posso acompanhá-lo Como se eu fosse sinal de fraqueza Fraco és tu Que não podes me conter Então entras em um cômodo fétido qualquer Sentas à beira de uma latrina Me enxuga em papel reciclado E o lança em um cesto Mas ali não tem só papel Tem a prova dos teus sentimentos Escrita em úmidas letras Portanto, não jogas também só papel Mas lágrimas na lixeira
Escrito por Black_Panter às 11h18
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Promessas

Ontem me disse Que Amanhã eu conseguiria Hoje ser feliz Só que o que era Hoje Ontem, Hoje já é Amanhã! E a felicidade?
Escrito por Black_Panter às 09h58
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Viva a Morte

Esse vento frio e devagarinho Não sei se ele me irrita Ou se me faz carinho Mas a garoa forte e branca Deixa a noite mais bonita Todos adormecidos Sereno sono de quem não mais acorda Mas é bom Assim posso pensar inteiro Enquanto espero Ninguém me aborda Mas eis que o vento acelera Um calafrio de repente Dizem que é quando a morte chega Sente-se aqui então Porque tanta solidão? _Ceifei vidas inteiras Ceifei-as de todas as maneiras Todos estão mortos agora Não existe mais vida para ceifar Fiz o que me pediu E agora, como vou ficar? Porque eu não vou pro céu Nem no inferno eu vou morar Estou condenada neste ermo A solidão será o meu par Nenhuma cidade com vida Nenhuma horta Estou sozinha Estou morta! _Não gosto de te ver assim Mas não posso te ajudar Ceifou aos bons e ceifou aos maus Não tem como te julgar Seu destino já cumpriu Mas a tua existência Ninguém pode ceifar Não és viva e nem és morta Não existe para ti lugar Vou ter que ir agora Só vim te agradecer Por ajudar a se cumprir O que tinha que acontecer Os bons já subiram Também já desceram os que tinham que descer Quanto a você, me desculpe Não há o que fazer _Não! Não me deixe aqui Eu também quero morrer! _Espere por aqui Alguns dos que subiram Um dia vão descer E junto contigo Vão novamente fazer Tudo isso acontecer
Escrito por Black_Panter às 11h30
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