BRASIL, Sul, LONDRINA, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, Spanish
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Dexter

Ninguém me viu chorar
E ainda tenho de disfarçar
Essa ferida que se formou
Parece que não vai fechar

Sei que fiz a coisa certa
Mas não consigo aceitar
Sei que não pensei em mim
E não tinha mesmo de pensar

Minha coragem foi covarde
Minha covardia que devia ser mais corajosa
Quem sabe...
Mas a dúvida me pediu pra não arriscar
Claro que também ia se acovardar

A saudade já não é de exitar
Fere o tempo todo sem descansar
A solidão não pode me ver sozinho
Se aproxima devagar
Me faz lembrar
Se alimenta de minha dor
Suga-a de meu coração
Afinal, o que seria dela
Se não fosse nosso pesar?

Agora o vazio me completa
E o meu olhar é para ele
Mas minha mente não para
E vai te procurar
Ela te encontra sempre
Eu nunca mais vou te encontrar
Nem em minha manhã mal-humorada
Nem em meu secreto jantar
Me perdoe mais uma vez
Mas não vou poder ficar
Tenho de encontrar algum lugar
Onde eu não me envergonhe de chorar.



 Escrito por Black_Panter às 13h20
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Nazio

Eu não fico mais triste
Mas ainda olho para o nada
Não sei no que isso consiste
Minha vista atrapalhada

O vazio é inevitável
Todo som é surdo
Tudo é ilegível
Toda voz é muda

É uma forma singular
Inocente,
Inconsciente
De ignorar.



 Escrito por Black_Panter às 14h50
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Agora!...

  

...a verdadeira hora.
Mas quando é agora?
Um sofrimento,
sentimento que te devora?
Um pensamento que te apavora?
Nada disso é agora,
tudo isso é outrora.
Um piscar de olhos que não demora.
Agora é agora!
Mas já passou,
novamente é outrora!



 Escrito por Black_Panter às 13h18
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Pálida Lua

O romantismo não é o meu forte
Eu falo de vida, de morte
A vida não é romântica
É semântica
Quântica
Pra morte eu uso assonâncias
Evitando redundâncias
Acrescentando substâncias
O meu sol é muito quente
Não é tão boa a minha gente
Meu amor só corrompe a mente
Oh lua que brilha!
Não és como no romance
Cálida
És solitária como uma ilha
Congelante
Pálida!



 Escrito por Black_Panter às 10h43
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Desconhecidos

quantos olhares!
quando pensares:
quantos olhares
me conhecerá?

quantos rostos!
quando os vires,
quantos rostos
desconhecidos!

quantos pensamentos!
quando imaginas:
quantos pensamentos
de mim originas?

quanto eles sabem?
como eles sabem?
quem me conhece?
quem eu conheço?
quem não me conhece?
quem desconheço?

quem não me conhece,
eu o conheço!
quem me conhece,
eu não conheço!



 Escrito por Black_Panter às 10h45
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Fale

Não me fale de nada
Fale de tudo
Tudo o que é importante
Verdadeiro
Insinuante
Que seja inteiro
Fale de tudo que valha a pena
Que dê teatro
Uma cena
Um três por quatro
Fale sobre agora
Ou uma boa história
Algo que aflora
Uma glória
fale de devaneios
Vontade
Anseios
Realidade
Natureza
Trabalho
Beleza
Quebra-galho
Felicidade
Satisfação
Idade
Condição
Monte
Vale
Conte
Fale



 Escrito por Black_Panter às 10h56
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Natural

Existe uma natureza
que não é só de flores
a natureza das dores
sem amores.
Uma que é sem rumo
sem caminho
do sozinho
do sem carinho.
Ela é de muitos
e é a todos.
Uma homogeneidade heterogênea
que faz muitos serem iguais
e, por isso, tão diferentes
tão individuais.
Como produz injustiças essa natureza!
essa que é sem alteza
sem beleza
nua e crua
jogada na rua
coberta pela lua
que morre de fome
que o ódio consome
que transforma
que transtorna
que não reforma
que não torna
que mata
que morre
que some
que chora
que hora?
agora!



 Escrito por Black_Panter às 10h42
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PensaMente

Sabe aqueles pensamentos...

Que põem pregos nos acentos?

Que esquentam o chão que pisamos?

Que bagunçam nosso cabelo?

Que estalam nossos dedos?

Que róem as nossas unhas?

Que espremem nosso coração?

Que matam a nossa fome?

Que invertem o conceito de bom?

Que nos deixam bêbados?

Que enfraquecem o relógio?

Que endurecem o travesseiro?

Que acinzentam o dia?

Que amargam o mel?

Sabe aqueles pensamentos?

Porque não fazem como os outros

E duram apenas momentos?



 Escrito por Black_Panter às 08h51
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Dado Viciado

Meu passado me condena
Porque nunca fui nenhum santo
Minha bondade ficou num canto
E minha vida nunca foi amena

Passei por tempos melhores
Mas hoje estou assim:
Eu nas mãos de meus algozes
E nas minhas o sangue carmesim

Mas esse sangue não é meu
O meu já virou poeira
E sim de alguém que já sofreu
Por eu sofrer dessa maneira

Alguém que se entristece
Quando parecem não lhe dar atenção
Quando alguém como eu lhe esquece
E cai na escravidão

Alguém que pode ordenar
Que todas as chibatadas cessem
Que meus cortes venham a se fechar
Enquanto todas minhas dores desaparecem

Mas que não pode cessar
Aquilo que desejamos
E que queremos alcançar
Mesmo que com isso soframos

É estranho assim pensar,
Enquanto erramos o nosso caminho
Alguém que poderia nos livrar
Nos deixa andar sozinho

Essa é a maldição do homem
Foi dado a ele o escolher
Mas ele não sabe escolher o bem
Então escolhe sofrer

Abaixo o livre arbítrio!
Não quero mais decidir
Pois sempre que escolho ir ou vir
Acabo contrito



 Escrito por Black_Panter às 11h44
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Simples

Sem composição; sem mistura.
Único; exclusivo.
Mero, singelo.
Que não é complicado.
Sem enfeites, sem moldura.

Que não é dobrado.
Que é fácil de entender;
Evidente; natural.
Que não é luxuoso, artificial.
Não ornado, elegante, caro ou requintado.

Sem esforço; espontâneo.
Normal, vulgar, comum, ordinário.
Que se encontra no grau mais baixo.
Fácil de enganar; tolo, crédulo, ingênuo.

Sem instrução; ignorante.
Modesto, humilde, pobre.
Pessoa simples;
Popular; insignificante.



 Escrito por Black_Panter às 08h34
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Simplicidade

Como pude simplesmente
Deixar de ser simples?
Não achava que era tão simples
Perder a simplicidade.
Mas tem lógica,
É simples se perder o simples.



 Escrito por Black_Panter às 12h11
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Falta

Sinto muita falta
Mas não sei ao certo do quê
Quando está sol
Penso ser da chuva
Mas quando chove
Levo mais um tapa de luva
De noite anseio pelo dia
Ele vem de mansinho
E assim também percebo
Que ele não me alivia
Boto minha cara ao vento
Mas ele só faz incomodar
Não me bagunça o cabelo
Nem me traz nenhum alento
Tento me lembrar de meus amores
Mas desisto logo
Foram tantas decepções
Que só aumentam minhas dores
Meu passado talvez
Minha infância, quem sabe?!
Não adianta
Cedo minha inocência se desfez
Tento com as amizades
Mas quantas vezes às vi de costas
Mesmo olhando em meus olhos
Enquanto proferiam inverdades
É... está faltando algo
Mas acho que é nesta poesia
Está um tanto vaga
Outro tanto está vazia
Sinto falta de Nada
Porque eu não tenho mais Tudo
E com a falta deste
Aquele mesmo me agrada.



 Escrito por Black_Panter às 14h42
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Lágrimas na lixeira

Não me jogues fora assim
Por tão pouco
Queria ser ácida
Faria sulcos por toda tua face
Assim não me jogarias
Por qualquer motivo
Basta estares feliz o bastante
E tu já não me queres mais
E me deixa cair
Estando triste me ignora
Olhas para o nada enquanto me esvaio
Se o Nada é mais importante do que eu
Então o que sou para você?
A maior vergonha para ti
É quando eu apareço em público
Por isso me evita assim
Quando é para te mostrares forte
Eu não posso acompanhá-lo
Como se eu fosse sinal de fraqueza
Fraco és tu
Que não podes me conter
Então entras em um cômodo fétido qualquer
Sentas à beira de uma latrina
Me enxuga em papel reciclado
E o lança em um cesto
Mas ali não tem só papel
Tem a prova dos teus sentimentos
Escrita em úmidas letras
Portanto, não jogas também só papel
Mas lágrimas na lixeira



 Escrito por Black_Panter às 11h18
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Promessas

Ontem me disse
Que Amanhã eu conseguiria
Hoje ser feliz
Só que o que era Hoje
Ontem,
Hoje já é Amanhã!
E a felicidade?



 Escrito por Black_Panter às 09h58
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Viva a Morte

 

Esse vento frio e devagarinho
Não sei se ele me irrita
Ou se me faz carinho
Mas a garoa forte e branca
Deixa a noite mais bonita
Todos adormecidos
Sereno sono de quem não mais acorda
Mas é bom
Assim posso pensar inteiro
Enquanto espero
Ninguém me aborda
Mas eis que o vento acelera
Um calafrio de repente
Dizem que é quando a morte chega
Sente-se aqui então
Porque tanta solidão?
_Ceifei vidas inteiras
Ceifei-as de todas as maneiras
Todos estão mortos agora
Não existe mais vida para ceifar
Fiz o que me pediu
E agora, como vou ficar?
Porque eu não vou pro céu
Nem no inferno eu vou morar
Estou condenada neste ermo
A solidão será o meu par
Nenhuma cidade com vida
Nenhuma horta
Estou sozinha
Estou morta!
_Não gosto de te ver assim
Mas não posso te ajudar
Ceifou aos bons e ceifou aos maus
Não tem como te julgar
Seu destino já cumpriu
Mas a tua existência
Ninguém pode ceifar
Não és viva e nem és morta
Não existe para ti lugar
Vou ter que ir agora
Só vim te agradecer
Por ajudar a se cumprir
O que tinha que acontecer
Os bons já subiram
Também já desceram os que tinham que descer
Quanto a você, me desculpe
Não há o que fazer
_Não! Não me deixe aqui
Eu também quero morrer!
_Espere por aqui
Alguns dos que subiram
Um dia vão descer
E junto contigo
Vão novamente fazer
Tudo isso acontecer



 Escrito por Black_Panter às 11h30
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